Tema 2026

Mulheres e Juventudes nas Ciências: inovação, empreendedorismo e futuros que se constroem
A ciência transforma o mundo, mas também muda quando novas pessoas passam a ocupar seus espaços, fazer perguntas diferentes e produzir conhecimento a partir de outras experiências, territórios e formas de olhar a realidade.
É dessa ideia que nasce o tema da SINPETE Nacional 2026: “Mulheres e Juventudes nas Ciências: inovação, empreendedorismo e futuros que se constroem”.
Nesta edição, a SINPETE coloca em evidência dois grupos fundamentais para o presente e o futuro da ciência: as mulheres e as juventudes. Essa escolha reconhece avanços importantes, mas também parte de uma realidade ainda marcada por desigualdades no acesso à ciência, à tecnologia, à inovação e aos espaços de liderança.
Ciência Delas
O tema da SINPETE Nacional 2026 dialoga diretamente com a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – SNCT 2026, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que tem como temática “Ciência Delas”.
Esse diálogo nos convida a olhar para uma história em que muitas mulheres contribuíram de forma decisiva para o avanço do conhecimento, mas nem sempre tiveram a mesma visibilidade, o mesmo reconhecimento ou as mesmas oportunidades.
As desigualdades de gênero começam cedo. Muitas meninas crescem cercadas por expectativas que ainda associam determinadas profissões, capacidades e áreas científicas ao universo masculino. Ao longo da vida, podem encontrar barreiras que aparecem de diferentes formas: ausência de referências, discriminação, desvalorização profissional, sobrecarga de responsabilidades, violência simbólica e outras formas de violência que limitam escolhas e trajetórias.
Por isso, falar em “Ciência Delas” também é falar de acesso, permanência, autonomia, participação e reconhecimento.
É olhar para o passado e lembrar trajetórias que abriram caminhos. Nomes como Marie Curie, Katherine Johnson e Rosalind Franklin, no cenário internacional, e Bertha Lutz, Johanna Döbereiner, Nise da Silveira, Sônia Guimarães e Jaqueline Goes de Jesus, no Brasil, ajudam a mostrar que as mulheres sempre estiveram presentes na construção da ciência, ainda que muitas vezes tenham sido pouco lembradas.
Essas referências importam porque ajudam novas gerações a enxergar possibilidades.
Na SINPETE, essa perspectiva aparece na programação, nos projetos, nas pesquisadoras convidadas, nas professoras, nas estudantes e nos espaços dedicados à memória e à divulgação científica. “Ciência Delas” passa a fazer parte da identidade da edição como um compromisso com maior visibilidade, participação e reconhecimento das mulheres na produção do conhecimento.
Juventudes que investigam, criam e transformam
A SINPETE parte também de uma convicção simples: a ciência não começa na universidade.
Ela começa quando uma criança pergunta, quando um estudante observa um problema em sua escola ou comunidade, quando uma turma decide investigar uma situação concreta ou quando uma ideia começa a ganhar forma em um projeto, experimento ou solução.
Por isso, as juventudes não aparecem na SINPETE apenas como público. Elas são reconhecidas como pessoas capazes de investigar, criar, formular hipóteses, experimentar, propor soluções e produzir conhecimento.
Essa mensagem é especialmente importante para meninas e jovens mulheres. Não queremos dizer apenas que elas poderão ser cientistas no futuro. Queremos afirmar que elas já podem fazer ciência agora.
Inovação, empreendedorismo e transformação
A inovação e o empreendedorismo entram nessa proposta como caminhos para transformar ideias em ação.
Na SINPETE, inovar não significa necessariamente usar tecnologias sofisticadas ou criar algo completamente novo. Muitas vezes, a inovação nasce da capacidade de perceber um problema real, mobilizar conhecimentos, construir uma resposta possível, testar caminhos e gerar alguma transformação na escola, na comunidade ou na sociedade.
O empreendedorismo também é entendido de forma ampla: como iniciativa, criatividade, autonomia, colaboração e capacidade de fazer uma ideia sair do papel.
Ao reunir estudantes, professores, pesquisadores, universidades, escolas, instituições científicas e comunidades, a SINPETE Nacional 2026 quer fortalecer uma ciência mais próxima, plural, democrática e acessível.
Uma ciência que reconhece diferentes trajetórias e territórios.
Que amplia oportunidades e referências.
Que aproxima a escola da universidade.
Que enfrenta desigualdades.
Que valoriza quem pergunta, quem investiga, quem ensina, quem comunica e quem transforma.
Porque democratizar a ciência também significa ampliar quem pode fazê-la, ocupar seus espaços, ser reconhecido e participar das decisões sobre seus caminhos.
A ciência muda quando muda quem a faz.
Em 2026, a SINPETE reafirma esse compromisso com uma ciência feita por mais mulheres, mais jovens, mais territórios, mais experiências e mais vozes.